"UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL DO CINEMA BRASILEIRO" - MARCELO TAS
Em uma época que apenas superproduções milionárias são valorizadas, filmes pequenos e independentes são deixados de lado e passam despercebidos. É uma grande pena, principalmente quando temos exemplos de pequenas produções de altíssima qualidade, como é o caso de
Apenas o Fim, filme do estreante
Matheus Souza.
O longa foi exibido nas mostras de cinema do Rio e de São Paulo, onde foi um sucesso de crítica e levou o prêmio do público em ambos. Depois acabou saindo em pouquíssimas salas, e, como era de se esperar, um público bastante reduzido pôde conferir. Mas agora já é possível encontrar em algumas locadoras e em junho começam as vendas dos DVD's.
Passado inteiramente na PUC (as câmeras pertenciam à universidade, e os proprietários não deixavam o material sair de lá), o filme conta a história de um casal, vivido pelo excelente ator Gregório Duvivier (comediante do grupo Z.É. Zenas Emprovisadas e já fez pontas em alguns filmes como Mulher Invisível) e por Erika Mader. Logo no início, a personagem de Erika anuncia que vai embora e então precisa terminar o namoro. Eles tem uma hora antes da despedida, e durante esse tempo, o personagem de Gregório tenta convencê-la a ficar, mas ela está decidida. O filme inteiro é intercalado com flashbacks de momentos aleatórios ao longo do relacionamento deles. Conversas extremamente naturais, idêntica àquelas que vemos entre casais. Esse é o ponto mais marcante do filme, os diálogos.
Esqueça efeitos especiais, cenários exóticos e tudo isso que você está acostumado a ver no cinema
Hollywoodiano.
Apenas o Fim se sustenta no excelente roteiro e no trabalho dos atores. Pode-se dizer que
Matheus Souza ousou e trouxe o primeiro filme nacional cheio de referências pop, como é comum lá fora. Principalmente nos
flashbacks, o casal fala de temas como
Cavaleiros dos Zodíaco,
Star Wars,
Vovó Mafalda,
Power Rangers e até mesmo de sites como
Omelete,
Judão e
Jovem Nerd.
Algumas curiosidades sobre Apenas o Fim:
- O filme custou somente R$ 8.000. Dinheiro obtido da rifa de um uísque;
- Nas filmagens, o eletricista da equipe foi o mesmo do filme O Incrível Hulk (nas cenas no Rio de Janeiro), tanto que nos primeiros teasers que saíram do longa aparecia: "Do mesmo eletricista de 'O Incrível Hulk'";
- Marcelo Adnet participa de duas pequenas cenas do filme com um bizarro sotaque paulista.
Enfim, se você não viu, faça esse favor a si mesmo. Procure nas locadoras e assista. É um exemplo de filme brasileiro de boa qualidade.
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Nota: 9,5